20/06/2004 03:13
Bem, voltando ao assunto beija-flor...
Eu já tive um, ou melhor, tenho um, mas isso é estranho pq o tipo beija-flor a gente nunca possui, ou chega a possuir...a gente só usufrui. É bom, mas tb é ruim, principalmente quando ele resolve distribuir seu mel de flor em flor..rs
Mas cansei, tô que nem a Maitê Proença, nesta crônica inabalável( com a música) que tem tudo a "vê" com o que eu "tô" falando:
Amor da minha vida
O amor da minha vida eu encontrei, tem nome, é de carne e osso e me ama também. Agora, falta encontrar alguém com quem possa me relacionar.
É que o homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele.
Não bastam nossos namoros longos, os rompimentos e a teimosia de desejar mais daquilo que não há de ser.
Não presta que ele me visite pra acabar com as saudades e fuja correndo de pernas bambas e um bumbo no peito.
Não basta que haja amor para viver um amor.
Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca.
Quando eu falo vem, ele entende vai. Enquanto ele avista o mar, eu olho pra montanha. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra.
Discordamos sobre o tempo, o tamanho das ondas, a cor da cadeira.
O desacerto é de lascar e não há cama que resista a tantas reconciliações... um dia a cama cai.
Esta semana, fui ver a "Ópera do Malandro". Se o Chico Buarque nunca mais tivesse feito outra coisa, ainda assim teria de ser imortalizado pelas alturas em que transita sua poesia nessa obra.
Como ando às voltas com assuntos de amor, prestei atenção na cafetina vitória, que ensinava: o amor jamais foi um sonho, o amor, eu bem sei, já provei, é um veneno medonho.
É por isso que se há de entender que o amor não é ócio, e compreender que o amor não é um vício, o amor é sacrifício, o amor é sacerdócio.
Mais adiante, Terezinha, a heroína sofria:
- Oh, pedaço de mim, oh, metade arrancada de mim, leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu...
Naquela noite, inspirada pelo Chico, voltei pra casa decidida: não quero mais o amor da minha vida ocupando o lugar de amor da minha vida. Venho, portanto, pedir a ele publicamente que libere a vaga. É com você mesmo que estou falando, você aí, que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração, faça o favor de desinstalar-se. Xô!
Há de haver um homem bom me esperando...
Um homem que aprecie o meu carinho, goste do meu jeito, fale a minha língua e queira cuidar de mim. As qualidades podem até variar, mas aos interessados, se houver, vou avisando: existem defeitos que considero indispensáveis.
Meu amor tem de ter uns certos ciúmes e reclamar quando eu viajar pra longe.
Pode se meter com minha roupa, com corte do cabelo, e achar que sou distraída...
Este homem deve querer nosso lar impecável, com flores no jarro, e é imperativo que faça tromba quando não estiver assim.
Desejo, enfim, que meu amor me reprima um pouco, e que me tolha as liberdades - esse vôo alucinante e sem rumo anda me dando um cansaço danado.
enviada por Milady Morrison
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