03/07/2004 14:37
ENQUANTO DURA A FESTA
O velório de um pai de família. Todos choram o morto, a esposa, os filhos, tios, primos, amigos e inimigos, vizinhos caridosos e curiosos, todos que gostavam de ver defuntos e gente chorando. Os famosos pêsames, os tapinhas nas costas, os que não falam nada e ficam um pouco abraçados com a gente.
Nogueira foi um deles, logo ele que devia um milhão para Papai e que vivia atrás dele cobrando.
Nessa hora, o filho sentia vontade de perguntar cadê o dinheiro que você deve e que ajuda a matar papai de aborrecimento e humilhá-lo perante todos, fazendo-o ajoelhar-se perante o caixão, pedindo perdão; para que Isto lhe ficasse na memória. Mas para que adiantaria bondade diante do caixão, o morto não precisa dela, ele está morto. Outro vizinho diz: "Seu pai foi um santo homem".
Mentira, ele nunca foi disso, era egoísta, às vezes cruel, um marido desconfiado, um pai sem carinho, mas talvez se as pessoas que agora o elogiavam o tivessem feito em vida quem sabe ele poderia ter sido melhor. Em meio a Isto tudo, todos choravam.
Era como uma festa, uma festa fúnebre em que todos, ao invés de rir, choram com lágrimas, enquanto mentiras piedosas são ditas à meia luz, e no meio disto tudo, o morto - a causa, o pretexto, o ornamento. Sua alma já descansou, mas seu corpo deve permanecer enquanto dura a festa.
enviada por Milady Morrison
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