03/07/2004 15:20
Pertencendo a uma família da elite cultural polonesa, JK teve a melhor formação pediátrica da época (1898-1904), pois estudou em Paris (que dava ênfase à pesquisa de novos conhecimentos) e em Berlim (conhecido pela aplicação metódica dos conhecimentos adquiridos). Nos seus 8 anos de prática pediátrica deu preferência à população pobre da qual não cobrava.
Em 1912, seu destino foi traçado e JK entrou para a história, ao ser selecionado para dirigir o novo orfanato da comunidade judaica, o que se tornou a grande obra de sua vida: A República das crianças da Rua Krochmalna, 92.
Para começar, ele desenvolveu para o prédio, uma arquitetura estilo criança que não existia até então. Com seu embasamento médico-científico, JK podia ver claramente as falhas gritantes da pedagogia de sua época e incorporou uma original simbiose médico-educador, trabalhando num internato de crianças. O educador não deve se abaixar até a criança, mas elevar-se a ela e ao seu modo de ver e compreender as coisas, dizia.
O educador deve primeiro ganhar a confiança da criança e tratá-la com compreensão, tolerância, amor e respeito à individualidade mas com firmeza e sem pieguice ( criança superprotegida não sabe se defender) . Propositadamente JK não elaborou um corpo de doutrina fechado pois nunca quis que se aceitasse sem discussão suas conclusões mas sim que elas servissem de pontos de reflexão.
O fim da lenda
É quase inacreditável que um idealismo puro como este, tão difícil de encontrar, tivesse que terminar em tragédia, sacrifício e heroísmo. Aquele que exigia justiça para o fraco e o oprimido acabou sendo vítima de cruel injustiça. Em 1940, JK recebeu ordem da Gestapo para desocupar a casa do orfanato, num prazo de 24 horas. De nada adiantaram argumentos, apelos, lágrimas. As crianças, tal como os outros judeus poloneses, foram encerrados no gueto de Varsóvia. As condições tornaram-se um inferno: miséria, fome, doenças. Em 1942, os nazistas deram ordem de levar as crianças do orfanato para os trens da morte.
O movimento subterrâneo polonês ofereceu a JK documentos arianos, com os quais ele poderia salvar-se. Mas JK recusou, ligando seu destino, voluntariamente, ao das 200 crianças do seu orfanato, acompanhando-as em sua última e derradeira estrada. Foi assim que, em 1942, ele caminhou pelas ruas de Varsóvia, à frente de suas crianças e carregando em seus braços duas delas, que já não podiam andar sozinhas, de tão fracas. JK morreu com suas crianças na câmara de gás, em Treblinka.
Não desejo mal a ninguém. Fazer o mal? Nem sei como isto se faz (JK).
Para saber mais: http://www.sbp.com.br
enviada por Milady Morrison
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